Hub Azul Portugal

PORTUGAL TEM ELEVADO POTENCIAL NUMA ECONOMIA AZUL QUE VALE 92 MIL MILHÕES A NÍVEL MUNDIAL

Os dados são do Hub Azul Dealroom que reúne 1.210 startups mundiais da economia azul (47 de Portugal). A maior parte do valor está concentrado nas áreas da robótica, shipping, tecnologia climática, das energias limpas ou de eficiência energética.

As startups Bluetech (startups tecnológicas ligadas ao mar) e Blue Economy (startups ligadas à economia azul) têm uma avaliação de 92,8 mil milhões de euros em termos mundiais, de acordo com dados fornecidos, em exclusivo, ao Jornal Económico, pelo Hub Azul, baseados na plataforma Hub Azul Dealroom, onde estão neste momento 1.210 startups globais de economia azul (47 portuguesas). Portugal surge com “grande potencial nesta área” e com capacidade de gerar “grande valor acrescentado” apesar de ter um “ecossistema embrionário”, de acordo com o coordenador do Hub Azul Portugal, Gonçalo Faria.

Desse total de 92,8 mil milhões de euros 63,8%, o equivalente a 59,5 mil milhões de euros, estão concentradas nas áreas da robótica, do shipping, da tecnologia climática, das energias limpas ou eficiência energética.

“11,3% estão classificadas com robótica, 13.4% estão classificadas como shipping, 31,5% estão classificadas como tecnológicas climáticas. 7,6% estão classificadas como energia limpa ou eficiência energética”, de acordo com os dados do Hub Azul.

O coordenador do projeto Hub Azul Portugal, Gonçalo Faria, considera que o valor aportado por estas empresas sendo tendências globais servem como “indicadores de referência” para Portugal direcionar a sua estratégia.

“A análise destas tendências dá-nos informação muito relevante sobre o caminho que deveremos seguir em termos de investigação, mas também naquilo que respeita à inovação, com o desenvolvimento de novos produtos e de novas soluções. Permite-nos perceber em que áreas os investidores internacionais estão mais interessados, em que áreas a aposta é maior, significando isso maior capacidade de atrair investimento internacional”, diz Gonçalo Faria, ao Jornal Económico.

O coordenador do Hub Azul Portugal sublinha que Portugal “tem um enorme potencial nestas áreas” contudo, tendo em conta os dados do Hub Azul Dealroom, uma plataforma criada no âmbito do projeto Hub Azul Portugal, e que junta fundos de investimento a startups internacionais e estas a empresas âncora do ecossistema português, “revelam que ainda há muito trabalho a fazer”.

Gonçalo Faria sublinha que das 47 startups portuguesas que estão registadas no Hub Azul Dealroom, “que representam 3,8% do total), oito têm uma avaliação registada de 194 milhões de euros, o equivalente a 0,2% da avaliação total da amostra.

O coordenador do Hub Azul Portugal acrescenta que só a Tekever absorve 125 milhões de euros de avaliação, ou seja, 64% do total.

“Ainda assim, é interessante verificar que das oito startups [que têm avaliação registada de 194 milhões de euros] (Tekever, Inclita Seaweed Solutions, Oceano Fresco, Cargofive, Meight, Sensefinity, Exogenus Therapeutics e Bitcliq), quatro trabalham na digitalização de processos (Bitcliq, Sensefinity, Meight e CargoFIve) e uma trabalha sobretudo na sensorização e observação do oceano (Tekever)”, refere Gonçalo Faria.

Portugal tem elevado potencial de valor acrescentado
Para Gonçalo Faria, Portugal possui um “ecossistema embrionário” que tem um “elevado potencial” de valor acrescentado.

Gonçalo Faria sublinha que uma das tarefas do Hub Azul Portugal passa por “desenvolver mecanismos” que procurem, através dos sete hubs que serão criados no território continental português, “aproveitar a excelente investigação que se faz em Portugal, nestas como em outras áreas para a criação de novas empresas, de produtos e de soluções que vão ao encontro das tendências e das necessidades dos mercados internacionais”.

O coordenador do Hub Azul Portugal considera que o país está perante uma “oportunidade”, e sublinha a importância da plataforma Hub Azul Dealroom tendo em conta que “fornece informação de inteligência económica muito relevante para alinhar a investigação e a inovação com as tendências de investimento internacionais”.

Aquacultura e shipping ganham relevo
Em termos mundiais, os dados mostram também que 82,5% da avaliação [92,8 mil milhões de euros] de startups Bluetech e Blue Economy na categoria robótica foram criadas depois de 2015.

“Este valor é aproximadamente 20% para a área da aquacultura e 29,6% para o shipping”, salienta os dados retirados do Hub Azul Dealroom.

As startups Bluetech e Blue Economy na área offshore atingem os 1,8 mil milhões de euros.

“45% desta avaliação diz respeito a empresas criadas após 2015. Dentro desta classificação estão tecnologias de infraestrutura, manutenção, monitorização, digitalização, etc..”, explica o Hub Azul.

Na área das eólicas offshore (offshore wind) esse valor fixou-se nos 1,7 mil milhões de euros e 33% diz respeito a startups criadas após 2015.

Área das eólicas offshore obtém maior crescimento
As startups Bluetech e Blue Economy ligadas às eólicas offshore têm tido um crescimento assinalável.

Os dados do Hub Azul Dealroom confirmam uma subida de 102% entre 2021 e 2022. A robótica segue também a tendência com um crescimento de 65%.

Já as startups Bluetech e Blue Economy na área seaweed aumentaram 40% quando comparado 2022 com os primeiros nove meses de 2023.

Maior investimento está concentrado na robótica e no shipping
O investimento em startups Bluetech e Blue Economy na área da robótica ascendeu aos 1,5 mil milhões de euros, atingindo um crescimento que se aproximou dos 200% face a 2021.

“Este valor foi muito influenciado pela series E de 1,3 mil milhões de dólares (1,2 mil milhões de euros) da Anduril de dezembro de 2022”, explica o Hub Azul.

O investimento em 2022 em startups Bluetech e Blue Economy, na área do shipping, foi de 1,5 mil milhões de euros, um crescimento aproximado de 200% face a 2021.

“Este valor foi muito influenciado pela series E de 934 milhões de dólares (883 milhões de euros) da Flexport em fevereiro de 2022”, explica o Hub Azul.

Já o investimento em 2022 em startups Bluetech e Blue Economy e da área do offshore foi de 145 milhões de euros, mais 76% em comparação com 2021.

Comparando 2022 com os primeiros nove meses de 2023 o investimento nesta área ficou em 198 milhões de euros, “muito influenciado por uma operação em agosto de 2023 de 150 milhões de libras (172 milhões de euros) em growth equity da Venterra, uma empresa que opera na indústria do floating offshore wind, pela Beyond Net Zero”, salienta o Hub Azul.

O investimento em 2022 em startups Bluetech e Blue Economy na área da aquacultura chegou aos 233 milhões de euros, um crescimento aproximado de 6% face a 2021.

“Comparando 2022 com os primeiros nove meses de 2023 foram feitas apenas duas rondas acima de series B, ambas para a EFishery, em Maio e Julho”, diz o Hub Azul.

Na análise a estes dados o Hub Azul salienta que nas indústrias mais escaláveis, como a da robótica e do shipping, “tem-se visto surgir operações de late VC com elevados montantes, marcando uma separação versus o tradicional domínio de seeds e series A”.

O Hub Azul sublinha que as tecnológicas climáticas dominam a avaliação total, com aproximadamente um terço, “talvez porque esteja bem identificado como potencial de investimento sustentável”.

A plataforma Hub Azul Dealroom, insere-se no projeto Hub Azul Portugal, financiado pela Comissão Europeia no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). O Fórum Oceano, é o responsável pela criação do modelo de negócio global para o Hub Azul, em articulação com o seu Conselho de Gestão Estratégica, presidido pela Direção-Geral da Política do Mar.

Fórum Oceano e a World Ocean Initiative, do The Economist Impact, unem-se em estratégia digital para fortalecer uma Economia Azul sustentável

O Fórum Oceano – entidade gestora do Cluster da Economia Azul de Portugal, e a World Ocean Initiative, do The Economist Group, assinaram um Memorando de Entendimento (MoU) para a promoção, através da plataforma digital Hub Azul Dealroom (https://hubazuldealroom.forumoceano.pt/intro), de um ecossistema na Economia Azul sustentável que promova a inovação e o investimento de forma global.

 O objetivo deste MOU é expressar o compromisso de ambas partes em identificar e apoiar oportunidades que contribuam para o desenvolvimento de uma economia azul sustentável. Esta “knowledge-partnership” representa um passo significativo no sentido de enfrentar os desafios mais urgentes que os oceanos enfrentam, através de esforços colaborativos.

O Hub Azul Dealroom é a primeira plataforma digital projetada para mapear rapidamente informação de negócios da Economia Azul e fazer um “match” entre startups, SMEs e investidores. O Dealroom já tem registadas mais de 1.200 startups (com mais de 1.800 rondas de investimento), cerca de 2.600 investidores e mais de 120 grandes empresas. O site da plataforma revela ainda que já foram efetuadas 1.631 rondas de financiamento.

Na qualidade de “Knowledge Partner”, a World Ocean Initiative (WOI) irá colaborar com o Fórum Oceano no desenvolvimento e promoção da plataforma digital Hub Azul Dealroom. Esta iniciativa, gerida pelo Fórum Oceano e financiada pelo EU Next Generation – Plano de Recuperação e Resiliência de Portugal, serve como pedra basilar para fomentar o investimento ESG na construção de um modelo de negócio do Cluster da Economia Azul de Portugal e do Hub Azul.

A WOI também irá fornecer apoio de consultoria, sem compromissos financeiros, para o desenvolvimento da rede Hub Azul, incluindo aconselhamento sobre missões empresariais, atividades como eventos e programas, refinamento do modelo de negócios e estabelecimento de novos relacionamentos relevantes. O Fórum Oceano, por sua vez, apoiará os esforços da WOI para a transição para uma economia azul sustentável. A próxima Economist Impact’s World Ocean Summit (Economist Impact’s World Ocean Summit) regressa a Lisboa em março de 2024.

Ruben Eiras, Secretário-Geral do Fórum Oceano: “Este MoU marca um momento crucial nos esforços coletivos para fornecer melhor informação, conteúdo e inteligência para o empreendedorismo e investidores que estão focados na promoção de uma verdadeira economia ESG azul.  Ao unir forças com o WOI, do The Economist Impact, pretendemos desbloquear novas oportunidades e estabelecer uma referência global para soluções inovadoras em todos os setores da economia azul, estabelecendo modelos de negócios que sejam ao mesmo tempo rentáveis e geradores de um “superávit ambiental” para os ecossistemas do oceano”.

Tatiana Der Avedissian, head of business development da World Ocean Initiative (WOI) do The Economist Impact: “A WOI tem defendido a necessidade de colmatar a lacuna de investimento na inovação oceânica através da World Ocean Summit anual e da 2022 World Ocean Tech and Innovation Summit. Acreditamos que este é um fator crucial para acelerar a transição para uma economia azul sustentável. O Hub Azul Dealroom é uma grande iniciativa que apoiará este objetivo e estamos felizes em apoiar este esforço como Knowledge Partner”.

Esta colaboração entre o Fórum Oceano e a WOI representa um compromisso partilhado para impulsionar mudanças positivas na economia azul global e dá o mote para práticas inovadoras e sustentáveis que pretendem moldar o futuro dos nossos oceanos.

GOVERNO ANTECIPA CRIAÇÃO DE 30% DE ÁREAS MARINHAS PROTEGIDAS PARA 2026

O Governo antecipou para 2026 a meta de criação de 30% de áreas marinhas protegidas, inicialmente prevista para 2030, anunciou esta quarta-feira o primeiro-ministro, que afirmou que Portugal pretende manter uma “posição de charneira na economia azul”. Estes anúncios foram feitos por António Costa no Fórum de Investimento na Economia Azul Sustentável, que decorre esta quarta no Centro de Congressos do Estoril, em Lisboa, e visa “debater o crescimento económico impulsionado pela economia do oceano”.a área das energias renováveis, António Costa referiu que Portugal tem a ambição de “atingir uma capacidade instalada de produção de energia eólica offshore de dez gigawatts até 2030”.A par destes anúncios, António Costa salientou que Portugal está “fortemente empenhado na descarbonização do transporte marítimo” e “continua a investir ativamente em infraestruturas para a economia azul”, referindo que, no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), está previsto um “plano de financiamento de 87 milhões de euros para a criação do Hub Azul” Portugal, “uma rede de centros de investigação e desenvolvimento e de universidades focadas na ciência, tecnologia e inovação marinhas”.Esse hub, segundo o primeiro-ministro, irá “duplicar o número de startups a operar em Portugal na área da economia azul, bem como o número de projetos apoiados por fundos públicos”.Costa destacou que Portugal quer ser “um pólo europeu de excelência na área da biotecnologia azul, atraindo investimento e know-how (em português, saber como) de todo o mundo para desenvolver ciência de ponta e gerar novo valor de mercado”, estando a ser criado, nos terrenos da antiga refinaria de Matosinhos, o Centro Internacional de Biotecnologia Azul.O chefe do executivo referiu que, “para poucos países o mar é tão fundacional como para Portugal” e sublinhou que, a nível nacional, “a bioeconomia e a biotecnologia azul já desempenham um papel fundamental”.”Mas o potencial de crescimento é enorme e, neste sentido, Portugal tem integrado a sua política marítima, ordenado o seu espaço marítimo e promovido energias renováveis oceânicas de forma a criar todas as condições para estar na linha da frente ao nível da economia azul”, frisou.

Notícia publicada no jornal Público:
https://www.publico.pt/2023/10/04/azul/noticia/governo-antecipa-criacao-30-areas-marinhas-protegidas-2026-2065632

CONSELHO DE GESTÃO ESTRATÉGICA DO HUB AZUL APOSTA NA PROJEÇÃO INTERNACIONAL

O Conselho de Gestão Estratégica do “Hub Azul, Rede de Infraestruturas para a Economia Azul” reuniu-se hoje, no Porto, para discutir um modelo de governação que promova sinergias entre PMEs e start-ups, grandes empresas, centros de interface e universidades. O Secretário de Estado do Mar, José Maria Costa, participou nos trabalhos.

Estas sinergias são cruciais para o sucesso da estratégia de ampliação e promoção dos setores tradicionais e emergentes da economia azul e permitirão beneficiar das oportunidades decorrentes das transições climática e digital, fundamentais para aumentar a projeção internacional deste setor económico em Portugal.

Nesta reunião foi ainda dada atenção particular à organização da segunda edição do Sustainable Blue Economy Investment Forum (SBEIF), que se realiza no próximo dia 4 de outubro, no Centro de Congressos do Estoril, com o objetivo de dinamizar a projeção internacional da economia azul nacional, fator elementar para atrair novas empresas e investimento direto estrangeiro.


Notícia publicada no site
Oficial do XXIII Governo Constitucional – República Portuguesa (Portugal.gov.pt): https://www.portugal.gov.pt/pt/gc23/comunicacao/comunicado?i=conselho-de-gestao-estrategica-do-hub-azul-aposta-na-projecao-internacional

NOVO HUB AZUL DE LEIXÕES. ABERTO CONCURSO NO VALOR DE 4,9 MILHÕES DE EUROS

Está aberto o concurso público para o novo Hub Azul de Leixões. Estão disponíveis 4,9 milhões de euros para a sua construção sendo que as empresas interessadas têm 90 dias para concorrer.

O Hub Azul é uma infraestrutura científica, tecnológica e de inovação, que tem como objetivo desenvolver a economia azul.

O novo Hub Azul de Leixões, inclui a construção de um tanque central multiusos, com um prazo de conclusão de 365 dias, tendo como entidade adjudicante o Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência (INESC TEC), enquanto líder do consórcio HUB Azul de Leixões.

O caderno de encargos prevê que a obra seja realizada na Plataforma Logística do Porto de Leixões, com prazo de finalização até ao final de 2025.

O Hub Azul Leixões para além do INESC TEC reúne outras entidades como: a Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo (APDL), a Câmara Municipal de Matosinhos, o Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (CIIMAR), o Instituto de Ciência e Inovação em Engenharia Mecânica e Engenharia Industrial (INEGI) e o Fórum Oceano.

Notícia publicada no Jornal Económico: https://jornaleconomico.pt/noticias/aberto-concurso-para-novo-hub-azul-de-leixoes-no-valor-de-49-milhoes-de-euros/

HUB AZUL PENICHE LANÇA CONCURSO 5,6M€ PARA INCUBADORA DE STARTUPS DA ECONOMIA DO MAR

A entidade gestora do Polo de Peniche do Hub Azul, Smart Ocean – Associação para a Promoção e Desenvolvimento do Parque de Ciência e Tecnologia do Mar de Peniche, aprovou a abertura e o lançamento do concurso internacional para a empreitada de construção do edifício Smart Ocean Open Labs.

Saiba mais: https://www.dinheirovivo.pt/empresas/lancado-concurso-de-56milhoes-para-incubadora-de-empresas-da-economia-do-mar-em-peniche–16878322.html

MONETIZAR A SAÚDE DO OCEANO COM AS EÓLICAS OFFSHORE

Temos um modelo de negócio que monetiza a saúde do oceano: descarbonizar a energia e restaurar a saúde do mar, com uma indústria exportadora de tecnologia ESG geradora de lucro, emprego e impostos para o financiamento do Estado social democrático.

Por Ruben Eiras – Secretário-Geral do Fórum Oceano

É um facto cientificamente provado e não apenas “wishful thinking”: as eólicas offshore flutuantes são reais aceleradores de novo capital natural marinho, para além da produção de eletricidade e (potencialmente) hidrogénio renovável. Esta é a conclusão que o grupo de investigadores da Universidade do Minho retirou da investigação: cerca de 50 novas espécies usam as infraestruturas de amarração e flutuantes para se abrigarem e multiplicarem.

Esta constatação é assaz importante, não só porque comprova o impacto ESG positivo da indústria emergente das energias renováveis oceânicas, mas também porque abre novas perspetivas de industrialização sustentável do mar português e da respetiva estratégia de “project finance” sustentável: ou seja, combinar as eólicas offshore flutuantes com o setor emergente dos recifes artificiais aumentará o impacto ESG da infraestrutura, por via do efeito simultâneo de substituição energética (cash-flow descarbonizado), do crescimento da biodiversidade marinha (impacto ESG gerador de crescimento dos stocks piscatórios) e do aumento da capacidade oceânica de sequestro de carbono (se o bio-design dos recifes permitir o surgimento de florestas de macroalgas, mais atrativo ficará o investimento para trading no mercado de créditos de CO2).

Ou seja, com esta abordagem integrada de renováveis oceânicas e recifes artificiais maximiza-se a aplicação da “Teoria da Mudança” em uso pelo Fundo de Investimento Europeu, no que se refere à quantificação da ligação do desempenho do lucro relacionado com a performance ESG: quanto mais energia se produzir com as eólicas offshore flutuantes (vendas) não só diminuirá o consumo das fontes fósseis (efeito de substituição com impacto ESG), como também aumenta a biodiversidade marinha e a capacidade de captura de carbono azul (segundo e terceiro impactos ESG cumulativos).

As oportunidades para as empresas portuguesas
E agora vamos a números. Segundo os dados da plataforma Hub Azul Dealroom gerida pelo Fórum Oceano, estamos a tratar de dois setores que representam uma gigante oportunidade para Portugal, de duas naturezas: o valor de mercado empresarial da fileira das energias renováveis oceânicas já é de 6,9 biliões de euros, e encontra-se numa fase pré-comercial; o sub-setor emergente e “early stage” dos recifes artificiais e fundações para eólicas offshore, na categoria da Restauração Ambiental, com apenas 3 startups identificadas, já têm o simpático valor de mercado empresarial de 185 milhões de euros.

Além disso, de acordo com o Blue Invest Report 2023 da Comissão Europeia, a tendência é de aumento da exposição dos investidores nestas duas fileiras nos próximos 3 anos, sendo a das energias renováveis oceânicas a segunda, num total de 10 fileiras, que atrairá mais capital.

Mas em que cadeia de valor industrial destas fileiras deverá Portugal apostar? No setor dos recifes artificiais, tendo o país fortes empresas na construção civil e na engenharia marítimo -portuária, ainda vai a tempo de conseguir posicionar-se para um domínio integral da cadeia de valor.

Na fileira das energias renováveis oceânicas, as oportunidades de posicionamento são mais diversas, mas também com muito maior complexidade na escolha. Analisando os dados da plataforma Hub Azul Dealroom, para além da óbvia produção dos componentes e plataformas das eólicas offshore, há outros três nichos ainda com aparente espaço: serviços digitais (inteligência artificial e big data) e robótica para a gestão operacional dos parques eólicos flutuantes; otimização tecnológica dos navios de operações de manutenção para eólicas offshore; fundações para eólicas offshore que regenerem o ecossistema marinho.

Com o leilão das eólicas offshore flutuantes no horizonte, o impacto transformador desta oportunidade é claro para Portugal – temos um modelo de negócio que monetiza a saúde do oceano: descarbonizar a energia e restaurar a saúde do mar, com uma indústria exportadora de tecnologia ESG geradora de lucro, emprego e impostos para o financiamento do Estado social democrático.

Artigo publicado no Jornal de Negócios: https://www.jornaldenegocios.pt/opiniao/colunistas/ruben-eiras/detalhe/monetizar-a-saude-do-oceano-com-as-eolicas-offshore

MERCADO B2B ALIMENTAR É A CHAVE DA BIOTECNOLOGIA AZUL

É o pragmatismo do empreendedor e do investidor que concretiza a paixão do cientista, e torna realidade a economia azul sustentável geradora de empregos e de riqueza inclusiva.

Por Ruben Eiras – Secretário-Geral do Fórum Oceano

A biotecnologia azul é propalada como uma área promissora para o desenvolvimento sustentável e crescimento inovador da economia do mar portuguesa. Com efeito, o potencial das suas aplicações é imenso: alimentar, cosmética, farmacêutica e até industrial. Além disso, tem a particularidade especial de muitas destas aplicações poderem ser realizadas em ambiente controlado, com replicação laboratorial e com uma extração mínima de biomassa a partir do ecossistema. E também é uma área em que Portugal é forte cientificamente.

Contudo, apesar de todas estas vantagens, o facto é que a fileira da biotecnologia azul tarda em entregar o valor comercial face às expectativas criadas. Vejamos os números e as tendências de investimento. De acordo com os últimos dados patentes na Hub Azul Dealroom, a plataforma digital de ecossistema que conecta investidores com empreendedores gerida pelo Fórum Oceano no âmbito do projeto PRR Hub Azul, o valor de mercado empresarial da fileira da biotecnologia azul não vai além dos 838 milhões de euros – em contraste, em comparação com outro setor emergente, o da energia renovável azul, este já se encontra num patamar de valorização de mercado de 6,9 mil milhões de euros. Ademais, no Blue Invest Report 2022, publicado pela Comissão Europeia e realizado pela equipa da PWC Portugal, a fileira da biotecnologia azul é uma daquelas em que os investidores perspetivam diminuir a sua exposição nos próximos três anos.

Como então explicar esta aparente desconexão entre a perceção pública elevada sobre a viabilidade da biotecnologia azul e a tendência de retração na comunidade de investidores? Primeiro, é preciso ter em conta que, geralmente, existe uma “decálage” temporal de atraso entre o momento das decisões dos investidores e a perceção pública de uma fileira. Ou seja, normalmente, os investidores, estando muito mais perto da dinâmica da realidade no terreno, antecipam a instalação da tendência dominante. E o que estamos a assistir na fileira da biotecnologia azul é exatamente este comportamento.

O risco elevado da biotecnologia azul
Segundo, quais as causas desta tendência de retração? A fileira da biotecnologia azul não é imune às dinâmicas dos eventos em outras áreas da biotecnologia. Ou seja, a condenação da empreendedora Elizabeth Holmes quanto ao modelo de negócio da sua startup Theranos imprimiu no mercado um perfil de risco “hiper-elevado” a investimentos em biotecnologia. Isto significa que o investidor terá um papel altamente prudente e conservador ao analisar modelos de negócio biotecnológicos.

Além disso, no caso particular de Portugal, o ecossistema empresarial vigente para a biotecnologia azul é estreito e com fraca escala. Com exceção no domínio alimentar, o nosso país não dispõe de grandes empresas com capacidade de investimento em alta escala e “em maratona” de longo prazo nos setores da cosmética e farmacêutica, por exemplo.

B2B: o mercado estratégico a explorar
Então significa que devemos simplesmente colocar a biotecnologia azul de lado e focar-nos em outros setores da economia azul? Nada disso. A realidade indica que é crucial identificar em que áreas da cadeia de valor da fileira da biotecnologia azul Portugal deve se posicionar estrategicamente.

Os dados da plataforma Hub Azul Dealroom irão nos ajudar a identificar vias possíveis. Quando se analisa a informação da lista de empresas por foco setorial biotecnológico, verifica-se que a maioria destas e com valorização mais elevada situa-se no sub-setor alimentar, sobretudo no fabrico de novos produtos alimentares, para o mercado b2b.

Portanto, um dos “insights” estratégicos possíveis a partir desta informação é que as startups portuguesas deverão concentrar o foco dos seus esforços na biotecnologia azul em inovação para a criação de “componentes alimentares” para uso no fabrico de produtos alimentares finais. Por exemplo, criação de uma farinha de algas para aplicação em barras energéticas, cereais de pequeno-almoço ou comida para animais de estimação.

À primeira vista, esta leitura pode ser interpretada como pouco ambiciosa, simplista e de baixa sofisticação. Mas no final do dia é o modelo de negócio que está a funcionar e a monetizar a ciência que fundeia a iniciativa empresarial – é o pragmatismo do empreendedor e do investidor que concretiza a paixão do cientista, e torna realidade a economia azul sustentável geradora de empregos e de riqueza inclusiva.

Artigo publicado no Jornal de Negócios: https://www.jornaldenegocios.pt/opiniao/colunistas/ruben-eiras/detalhe/mercado-b2b-alimentar-e-a-chave-da-biotecnologia-azul

A IMPARÁVEL ONDA DE INOVAÇÃO NA NOVA ECONOMIA AZUL

Isto dos Descobrimentos não se fizeram indo a acertar”, frisou o emérito Pedro Nunes algures no século XVI. Não temos medo em errar – mas temos de estar sempre conscientes de não nos esquecermos de aprender com o erro. Sendo assim na nossa ação, Portugal será uma imparável onda de inovação na nova economia azul!

Por Ruben Eiras – Secretário-Geral do Fórum Oceano


A economia azul tem um potencial de crescimento muito assinalável, devido à multitude de setores que a compõem: pescas, aquacultura, transformação de pescado, portos, transporte marítimo, turismo, energias renováveis oceânicas, biotecnologia azul, enfim. Sendo assim, parece que, à primeira vista, é um setor propenso à atração de investimento e de geração de novos negócios.

Mas não é bem esse o caso. Apesar de registar um crescimento regular anual em Portugal (em média, até 1% anual desde 2012), de acordo com a conta-satélite da Economia do Mar, publicada pela Direção-Geral da Política do Mar (DGPM) e pelo Instituto Nacional de Estatística, e também de se verificar a mesma tendência no espaço da União Europeia, o facto é que investir na economia azul continua a ter um risco elevado.

E porquê? Primeiro, devido ao contexto do meio natural onde o investimento é implementado. O mar é o ambiente mais hostil à atividade humana depois do espaço sideral. O meio líquido marinho é instável, a salinidade corrói os materiais, a pressão impiedosamente esmaga ao passo que a profundidade aumenta, a comunicação faz-se primordialmente por sinais acústicos e visualização de imagem em situação física de elevada limitação.

Segundo, pela assimetria de informação existente não só do ecossistema marinho (ainda há muitos “gaps” de dados sobre o mar), mas também nos diversos setores que constituem a economia do mar. Isto é, como investidor, se quero focar o meu capital nas energias renováveis oceânicas e no transporte marítimo, vou ter muito melhor informação sobre o último setor, devido a este ter maior maturidade. Mas mesmo no “shipping”, essa informação é estreita, pois é uma indústria ainda muito alicerçada no paradigma “o segredo é a alma do negócio”.

Para mitigar a assimetria de informação no mercado da economia azul, e facilitar um ambiente de confiança que conduza a uma melhor conexão entre investidores e inovadores, o Fórum Oceano lançou o Hub Azul Dealroom no passado dia 22 de maio, a primeira plataforma digital para negócios da economia azul do mundo, no contexto da sua missão como responsável pela coordenação e desenho do modelo de negócio da Rede Hub Azul Portugal, em articulação com a Presidência do Conselho Estratégica do mesmo, presidido pela DGPM.

Com quase 1100 startups listadas em 10 setores da economia azul e com mais de 1200 fundos de investimento registados, a plataforma Hub Azul Dealroom funciona com base num motor de inteligência artificial avançado que não só atualiza automaticamente a base de dados, como também fornece uma poderosa ferramenta de “matchmaking” de investidores com startups.

Mas as funcionalidades não se ficam por aqui. O utilizador pode ter as suas listas de monitorização de empresas, fundos de investimento e aceleradores personalizadas, como também pode consultar os valores de mercado e rondas de investimento por setor de economia azul, segundo a categorização usada pela Blue Invest da Comissão Europeia. E as startups já podem também incluir um “pitch deck” no seu perfil para aumentar a atratividade junto dos investidores, sendo possível também identificar aquelas cujo modelo de negócio cumpre o “Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 14 – Vida debaixo de Água”.

O acesso ao Hub Azul Dealroom é gratuito e é um primeiro resultado concreto do financiamento PRR em execução pelo Fórum Oceano, na missão que lhe é consignada como entidade gestora do Cluster do Mar Português e que aumentará em muito o valor dos nossos serviços aos nossos associados, posicionando-nos cada vez mais como uma associação empresarial fornecedora de serviços de inovação de valor acrescentado para a economia azul sustentável.

Prova da confiança nesta rota de navegação é a associação da Caixa Geral de Depósitos, da Euronext Lisbon, da Startup Portugal, do Katapult Ocean, do Porto de Lisboa e da Blue Invest da Comissão Europeia como “co-igniters” do Hub Azul Dealroom.

Mas não podemos embandeirar em arco e esquecer a humildade que tão estratégica é para construirmos um projeto truísta.

“Isto dos Descobrimentos não se fizeram indo a acertar”, frisou o emérito Pedro Nunes algures no século XVI. Não temos medo em errar – mas temos de estar sempre conscientes de não nos esquecermos de aprender com o erro.

Sendo assim na nossa ação, Portugal será uma imparável onda de inovação na nova economia azul!

Artigo publicado no Jornal de Negócios: https://www.jornaldenegocios.pt/opiniao/colunistas/detalhe/a-imparavel-onda-de-inovacao-na-nova-economia-azul

MATOSINHOS FAZ PARTE DO ‘HUB AZUL’ JUNTANDO CIÊNCIA E TECNOLOGIA PARA APROVEITAR POTENCIAL DOS RECURSOS MARINHOS

Matosinhos é uma das autarquias incluídas no Hub Azul”, que é a Rede de Infraestruturas para a Economia Azul. A rede Hub Azul, que inclui Lisboa, Oeiras, Porto, Matosinhos, Algarve, Peniche e Açores, com um investimento total de 87 milhões de euros, contará com verbas do PRR – Plano de Resolução e Resiliência.

Na sexta-feira, dia 11, já avançou um primeiro passo para o projeto Hub do Mar, que será instalado na Doca de Pedrouços, em Lisboa, com a candidatura aos fundos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) em 31 milhões de euros.

O desenvolvimento do projeto arrancou com a assinatura do acordo de consórcio, celebrado entre cinco parceiros, designadamente a Câmara Municipal, a Universidade de Lisboa, a Docapesca, o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) e o Fórum Oceano, numa cerimónia que contou com a presença do ministro do Mar, Ricardo Serrão Santos, e que terminou com a visita ao espaço da Doca de Pedrouços que irá acolher o Hub do Mar.

O edifício do Hub do Mar vai ser construído na Doca de Pedrouços, ao lado da Fundação Champalimaud e da Fundação Gulbenkian, e pretende ser um espaço para acolher “muitas empresas” na área do mar, que potencie “a criação de valor através da inovação, da tecnologia e da ciência”, juntando as universidades e centros de investigação.

O ministro do Mar disse que o investimento de 31 milhões de euros do PRR é 100% a fundo perdido, para construir na Doca de Pedrouços um novo edifício chamado de Shared Ocean Lab [laboratório oceano partilhado], que vai ter vários laboratórios para diferentes tipos de atividades da economia azul e espaços cientificamente equipados, inclusive para prototipagem e biorefinarias.

“Estas serão infraestruturas de uso partilhado onde se poderão desenvolver múltiplos projetos de investigação e inovação”, indicou Ricardo Serrão Santos, adiantando o que o Hub do Mar vai ainda incluir “um espaço dedicado a um biobanco nacional de recursos marinhos, com todo o equipamento laboratorial para a sua manutenção, assim como um ‘datacenter’ associado ao Hub Azul”, que é a Rede de Infraestruturas para a Economia Azul.

Realçando que em Portugal a investigação em ciências do mar “é de ponta”, inclusive em termos de produção ‘per capita’ está em número um na União Europeia, segundo o relatório de 2020 da Comissão Oceanográfica Intergovernamental da UNESCO, o ministro disse que essa “excelente investigação científica e inovação” ao nível das universidades não se tem verificado em termos de transição para o mundo empresarial e para a economia.

Nesse sentido, a rede Hub Azul, que inclui Lisboa, Oeiras, Porto, Matosinhos, Algarve, Peniche e Açores, com um investimento total de 87 milhões de euros, entre os 252 milhões previstos do PRR para desenvolver uma economia do mar, vai ser “um pontapé de saída muito importante” para fazer a interligação entre a ciência e inovação e o mundo empresarial neste domínio, inclusive na biotecnologia azul com as farmacêuticas, nas engenharias dos sensores, dos módulos subaquáticos autónomos e na área da aquicultura.

“Temos excelente investigação na área das biotecnologias. Agora é preciso passar de facto para a economia produtiva”, reforçou Ricardo Serrão Santos, realçando a importância de Portugal aprofundar a sua relação com o mar, “reconhecendo o seu potencial para ser um fator determinante para o crescimento económico do país”.

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